Portal Garagem – Em breve

O mês de junho é marcado pela conscientização sobre a escoliose, por isso, alguns cuidados devem ser tomados para diagnosticar e tratar a doença. Escoliose é um desvio em “S” da coluna, em três direções diferentes e curvas maiores do que 11 graus, que atinge cerca de 2% da população mundial.

De acordo com a médica traumatologista e ortopedista infantil, Aira Brandelero, não há prevenção, mas é possível o diagnóstico precoce, o que impede a evolução da doença para um quadro mais grave.

A especialista explica que na fase inicial da doença não há sintomas, tanto que muitas vezes, a descoberta acontece tardiamente. Chamada de escoliose idiopática do adolescente, a maioria dos casos inicia próximo aos dez anos de idade. “Essa é a idade em que precisamos ficar de olho na criança e no pré-adolescente. Até mesmo na escola os professores podem observar os alunos. Também existem testes muito simples que podem ser feitos, como observar a altura dos ombros, a altura do osso ilíaco, na bacia, e realizar o teste do abaixamento de Adams. Neste teste, na criança que apresenta escoliose será possível observar uma corcova, em um dos lados, que é o desvio da coluna”, orienta.

Identificadas as alterações na coluna da criança ou pré-adolescente, o indicado é encaminhar para uma avaliação mais detalhada de um médico. Outro fator ressaltado pela médica Aira, é que a doença é mais comum em meninas. “Sabe-se que há uma herança genética e essa herança é tanto para o menino como para a menina, mas a doença se manifesta mais nas meninas”, complementa.

Não está comprovado que a escoliose cause dor e para uma pessoa com o diagnóstico confirmado, não existem restrições e é possível levar uma vida absolutamente normal. Entretanto, em uma pessoa adulta com mais de 50 graus de escoliose, que não foi diagnosticado a tempo, a doença poderá piorar e apresentar como consequências problemas respiratórios.

Tratamento dependerá do grau de desvio da coluna

A ortopedista argumenta que é considerado escoliose acima de 11 graus de desvio da coluna. A indicação do tratamento dependerá do grau da doença. Se o desvio for de 11 a 20/ 25 graus (alguns profissionais esperam até 30 graus) a indicação é observação e exercícios de correção postural, como RPG, e exercícios que fortaleçam a musculatura; entre 25 e 50 graus usa-se um colete; e acima de 50 graus a indicação é cirúrgica.

Na escoliose de 25 a 50 graus, quando existe a indicação do uso do colete, é preciso respeitar o período de crescimento do paciente. Neste caso, para ser efetivo, o uso do colete é orientado para um pouco antes da fase do estirão, que para meninas é antes da menarca (primeira menstruação) e no menino quando começarem a aparecer os pelos pubianos.

Segundo a médica, o colete não irá corrigir a escoliose, ele apenas freia a evolução da doença e, mesmo com o uso do colete, existem aqueles casos, cerca de 0,2%, que vão para tratamento cirúrgico . “No tratamento cirúrgico sim, serão colocadas as hastes na coluna e é possível corrigir a escoliose”.

Má postura pode influenciar na piora da escoliose?

No consultório médico,  as principais dúvidas das mães estão relacionadas a má postura da criança ou pré-adolescente, e se esse seria um fator que possa piorar o quadro de escoliose. Entretanto, a médica esclarece que a causa da doença é desconhecida e por esse motivo não é possível atribuir ao erro postural. “Mas é claro que se o pré-adolescente tiver uma boa postura será melhor, porque ele não terá dor na coluna, mas não está relacionada diretamente com a má postura, porque a escoliose é idiopática, ou seja, não se sabe a causa, sabe-se apenas que existe um fundo genético”.

Existem ainda outros tipos de escolioses, ligados a problemas neurológicos e outras causas mais raras, como problemas de tumores. Também são identificadas a escoliose congênita, que a criança já nasce com algum defeito vertebral, a escoliose infantil (de zero a três anos), e a juvenil (de três a dez anos), e acima de dez, que é a idiopática do adolescente.