Lições da crise para o agronegócio e o desafio das próximas gerações de gestores

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Óbvio que as realidades são distintas dos modelos e cultura brasileira da norte americana, no entanto ainda há, embora menor que no fim da década de 90, uma grande discrepância entre fundamentos de planejamento, gestão e controle dos produtores dos dois maiores players do agronegócio mundial. O que esperar das novas gerações que estão assumindo essa era mais tecnificada do agronegócio brasileiro?

 

Entre fevereiro de 1997 e outubro de 1998 tive a oportunidade de fazer um estágio técnico nos EUA como parte obrigatória da formação em Técnico em Agropecuária, a qual sou orgulhosamente formado pelo Colégio La Salle, de Xanxerê, SC.  Naquela época já era admirável a visão de planejamento e controle que os produtores norte-americanos tinham sobre sua produção. Lembro que na fazenda agro leiteria do Sr. Karl Dieball, em Minessota, havia um desktop com dois monitores entre a sala e a cozinha. Um sempre ligado em previsão do clima e outro nos preços das commodities para compra e venda. Havia desde aquela época um planejamento sistemático sobre o que produzir, quando vender, tendências de clima, preços entre outros.

 

Óbvio que as realidades são distintas dos modelos e cultura brasileira e norte-americana, no entanto ainda há, embora menor que no fim da década de 90, uma discrepância entre fundamentos de planejamento, gestão e controle dos produtores dois maiores players do Agronegócio ​ mundial. O que esperar das novas gerações que estão assumindo essa era mais tecnificada (e computadorizada) do agronegócio brasileiro?

Os desafios crescentes demandam, cada vez mais um controle acirrado nos custos de produção para todos os setores, sendo esta a principal e evidente oportunidade alavancada pela crise atual: Como estão meus custos? No agronegócio o fundamento é  o mesmo, o qual remete a necessidade contínua de aumento de competitividade em um mercado pouco polarizado,  concentrado em grandes players de fornecedores e compradores de insumos que regulam todo o mercado.  As empresas coadjuvantes do segmento e principalmente os produtores, se vêm sendo ainda mais  forçados a diferenciar-se com resultados de produtividade e eficiência para sobreviver e ou serem ainda mais competitivos nesse meio.

Não há dúvidas que a  saída para as empresas agro, principalmente produtores, seguirem competitivos, é diferenciar-se em vários aspectos: produtivos, comerciais, econômicos e estratégicos.  De modo geral, hoje não basta ter apenas uma  produtividade  boa ou regular, deve-se trabalhar com o conceito de alta performance, ou seja, estar entre as melhores empresas/produtores em vários indicadores de produção, como custo por unidade trabalhada, seja ela por ​área, ​hora ​máquina, mão de obra ​, hectare​, entre outros, onde o mais importante é a maximização da rentabilidade total do negócio (retorno econômico).

Há diversas tecnologias no mercado, tanto para melhorar os resultados técnicos do negócio, como equipamentos de alta precisão, produtos inovadores que proporcionam melhores ganhos de produtividade ​para otimizar e melhorar a eficiência no campo. São as ferramentas para melhorar a gestão. Nada disso será válido, no entanto, sem treinamento adequado para os usuários/colaboradores e, principalmente,  com utilização de competentes softwares de otimização, gestão e controle que auxiliam na administração do negócio, planejamento e efetivamente diferenciam as empresas/produtores de alta performance dos bons e regulares.

Os resultados de  alta performance são atingidos por  quem mais rapidamente  adota novas tecnologias e analisa seus dados de forma a priorizar as decisões, baseando-se nas variáveis que mais afetam a rentabilidade do negócio. Com isso tendem a tomar decisões de investimento com maior assertividade sobre o retorno e passam a liderar as comparações de Benchmarking (referência) do mercado.

Para melhorar a produtividade e alcançar a alta performance, é necessário estar comparando periodicamente os resultados e definindo/atualizando metas de alcance previamente planejadas. Procure no mercado ferramentas l​líderes do segmento e verifique se são adequados para o seu momento e orçamento.  Já dizia Peter Drucker “o que não é medido não pode ser gerenciado”. Atualize-se  e boas safras!

Por Estevão Schuh

Artigo  postado originalmente em adminstradores.com e centralofideas.com