E quando o preconceito mora na casa ao lado?

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A coluna de hoje vai entrar em uma discussão que é bem importante na questão das restrições alimentares, mas que também está em muitos outros assuntos: o preconceito. Desde que tivemos o diagnóstico da Doença Celíaca no Arthur e no Benício percebemos diversas formas de julgamento antecipado. Como isso mostra que as pessoas falam e julgam sem saber o que está acontecendo.

Já passamos por preconceitos junto da família, de pessoas próximas e de tantas outras, mas um fato em específico chamou mais atenção. É visível que a alimentação sem glúten virou moda nos últimos anos, pelas pessoas acharem que a retirada do glúten, por si só, emagrece e reduz medidas. Não que isso não seja verdade, a dieta sem glúten traz muitos benefícios para a saúde, mas desde que ela também seja baseada em uma alimentação saudável com ingredientes de qualidade e com fibras e sempre lembrando a importância de ser acompanhado por um profissional qualificado na área. Mas voltando ao fato que originou essa edição da coluna, eu e meu esposo, saímos para jantar sem os meninos um dia desses e encontramos uma pessoa conhecida no local. Essa pessoa se reuniu com outros casais e estávamos em mesas próximas.

Logo, ouvi que o assunto nessa mesa era sobre a alimentação sem glúten e a frase foi: “sem glúten, sem lactose é sem sabor”. Vamos por partes: quem já provou bons alimentos sem glúten sabe que eles podem ser muito saborosos, muitas vezes até mais que os feitos com trigo. Meu segundo questionamento é: e se fosse sem gosto, os celíacos têm outra opção? Sabe o que mais me incomoda? É que, infelizmente, a maioria da população acredita que as pessoas com intolerância ao glúten, têm a opção de comer alimentos com ou sem glúten, que isso é uma frescura ou que comer só um pouquinho não faz mal nenhum. Aí é que está o problema. A Doença Celíaca é uma doença autoimune desencadeada pela ingestão de glúten que está presente no trigo, aveia, centeio, cevada e malte. Ela é caracterizada pela inflamação crônica da mucosa do intestino delgado, resultando na atrofia das vilosidades intestinais.

Que adulto ou que pai que não gostaria que o seu filho celíaco pudesse se alimentar normalmente, pudesse ir à casa dos amigos sem preocupação ou participar de festas infantis sem precisar levar uma marmita completa? Porém, isso não é possível nos casos da intolerância ao glúten ou de outras restrições alimentares. Sei que os fatos de preconceitos não irão parar nesse caso, mas acredito que é preciso parar de julgar sem saber, de falar sem ter a informação completa, de criticar sem estudar sobre o que se está falando. Precisamos de igualdade, de direitos nas diferenças. Se algumas pessoas optam pela dieta sem glúten sem ter a doença é porque elas têm um argumento e o problema é realmente delas e nem mesmo nesse caso deve-se julgar. Mas, pessoas com Doença Celíaca precisam de tratamento e o ÚNICO tratamento disponível em todo o mundo é a dieta totalmente ISENTA de glúten por TODA a vida!

Portanto, falo por quem ainda não consegue expressar sobre esse assunto, no caso, meus filhos de quase três anos: vamos lutar por mais igualdade, por direitos, o mundo precisa de mais amor, de mais harmonia e não de julgamentos antecipados infundados. Os celíacos precisam de espaço, a mídia precisa mostrar mais como e a vida dos celíacos e como as pessoas que estão ao seu redor podem colaborar. Quem quiser colaborar com experiências e novas histórias, pode mandar e-mail para larissadamian@yahoo.com.br ou mesmo aqui pelos comentários! Participe!

 

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Larissa Damian
Larissa é jornalista. Atuou em diversas empresas da área de comunicação até 2014, quando decidiu dedicar-se aos filhos Arthur e Benício, gêmeos, intolerantes ao glúten, à lactose e alérgicos a proteína do leite de vaca. Na busca pela melhor alimentação para os filhos criou a LaEmília Cozinha Funcional, especializada em alimentos próprios para quem tem essa restrição alimentar.