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Xanxerê – A noite desta terça-feira (23) foi marcada por uma grande mobilização de iniciativa popular, realizada na Câmara e Vereadores para discutir sobre o que foi chamado de “aumento abusivo da Taxa de Coleta do Lixo”.

A mobilização começou pelas redes sociais logo após o início da distribuição dos carnês do IPTU, que apresentou aumento que varia entre 50% a 500% e estava marcada para acontecer na frente da prefeitura, porém, devido à chuva, foi transferida para a Câmara de Vereadores.

Loreni Rigatti foi a porta-voz do grupo que organizou a manifestação e conduziu o evento. Inicialmente Loreni explicou que não são contra o aumento, porém consideram abusivo. “Durante a semana começou uma movimentação que nos uniu numa causa comum. Quando começou a entrega dos carnês do IPTU a revolta e indignação da população tomaram conta os ânimos de todos nós, contribuintes. A partir disso surgiu este grupo nas redes sociais. Não somos contra o aumento, mas que seja digno, justo e moral. A prefeitura veio a público, tentou explicar, fez os cálculos, cálculos estes que não cabem na nossa cabeça e nem no nosso bolso. Parece que estão em outro planeta, e não tem a noção da realidade da população, onde uma ‘Coca-Cola’ ou uma ‘gelada’ custam R$ 300,00.”

Loreni disse, ainda, que a prefeitura está tentando jogar para a população a responsabilidade pela situação financeira da Administração Municipal. “A prefeitura alega desequilíbrio nas contas públicas para justificar o aumento e está querendo jogar nas nossas costas essa responsabilidade. Em nossa casa, quando vemos que o orçamento vai estourar, o que a gente faz? Corta gastos. Mas a prefeitura não fez isso, continuou contratando pessoal, cargos comissionados, sem aproveitar a capacidade técnica dos servidores do quadro de efetivos”.

Também foi lido um manifesto que será entregue ao Ministério Público, solicitando uma investigação nas contas da prefeitura e providências nos casos em que o aumento pode ser considerado abusivo.

Os vereadores de oposição também fizeram uso da palavra para declarar apoio ao movimento. Todos alegaram que por diversas vezes utilizaram a tribuna para cobrar do executivo ações mais austeras de economia e gestão dos recursos públicos.

O vereador Wilson Martins dos Santos informou que foram apresentadas sugestões para a cobrança da taxa de lixo e não foram aceitas pela Administração Pública. Wilson também relatou que foram solicitadas informações à prefeitura sobre a forma de cobrança da taxa de lixo, mas a prefeitura não tinha dados para apresentar. “Foi apresentado o projeto de lei no ano passado, nós apresentamos emendas questionando e sugerindo formas de diferentes de fazer a cobrança, mas não foram aceitas pela Administração e pelos seus vereadores, o que culminou nessa cobrança abusiva. Eles alegaram que o município tem um contrato com uma empresa que faz a coleta do lixo, que inicialmente recolhia 600 toneladas e hoje chega a 800 toneladas por mês. Pedimos a relação da pesagem, mas para nossa surpresa o município não pesa, não acompanha a pesagem.”

Wilson ainda disse que “tem novos projetos que serão apresentados para aumentar outras taxas, como da iluminação pública, para renovar o contrato da Casan, que só vai vencer em 2022 e para aumentar a planta genérica do município. Tudo isso para manter os cargos comissionados, as vantagens e os gastos desmedidos da Administração”.

O vereador João Paulo Menegatti, foi mais enfático e afirmou que é um assalto o que o povo xanxerense está sofrendo. “Isso é um verdadeiro assalto que o povo de Xanxerê está sentindo no bolso. A inflação chegou a 5% e um aumento que passou do 100%. Em alguns casos chegou a 300%. Isso é um ‘roubo com lei’, aprovado aqui nesta casa pelos vereadores de situação e pelos vereadores do PT. Em quem a população vai poder confiar? Em quem faz negociata para ficar alguns dias como prefeito?”

Menegatti questionou os números apresentados pela Administração, dizendo que “se o aumento acompanhasse a inflação e se fosse cobrado o que está inadimplente, seria suficiente para cumprir o contrato com a empresa”.

Além dos vereadores, vários representantes dos bairros e empresários utilizaram a tribuna para, também, manifestar seu repúdio ao elevado aumento da tarifa.

Ao final, foi formada uma comissão que vai se reunir com o prefeito e solicitar informações técnicas que justifiquem o aumento. Caso a explicação não justifique os altos percentuais do aumento, será feita nova mobilização para uma ação judicial contra o aumento e o depósito valor do IPTU em juízo, até que haja uma solução menos impactante para a população.