Fachin encaminha ao STJ citações envolvendo 9 governadores

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin determinou que as citações contra nove governadores nas delações de ex-executivos da Odebrecht sejam remetidas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), tribunal responsável por julgar governadores. Fachin atendeu ao pedido de desmembramento feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Fachin autorizou a abertura de inquérito de três governadores no STF – Alagoas, Acre e Rio Grande do Norte – pois os três são citados em ações envolvendo pessoas com foro no Supremo.

A decisão do ministro Fachin foi assinada no dia 4 abril e estava prevista para ser divulgada após o feriado de Páscoa. No entanto, a divulgação foi antecipada, tendo ocorrido na noite de ontem (11), depois da publicação de informações pelo jornal O Estado de S. Paulo, que teve acesso à integra das decisões.

Veja os nomes dos 9 governadores citados:

1 – Paulo Hartung (Espírito Santo)

2 – Geraldo Alckmin (São Paulo)

3 – Fernando Pimentel (Minas Gerais)

4-  Flávio Dino (Maranhão)

5 – Luiz Fernando Pezão (Rio de Janeiro)

6 – Raimundo Colombo (Santa Catarina)

7 – Marcelo Miranda (Tocantins)

8 – Beto Richa (Paraná)

9 – Marconi Perillo (Goiás)

Políticos catarinenses estão na lista de Fachin

A divulgação da lista dos envolvidos nas delações premiadas do grupo Odebrecht, liberada ontem pelo ministro Fachin, também destaca quatro políticos de Santa Catarina, todos de Blumenau. São eles: o senador Dalirio Beber e o prefeito Napoleão Bernardes, ambos do PSDB, o deputado federal Décio Lima e a deputada estadual Ana Paula Lima, do PT.

A relação é realmente impactante. Envolve senadores do PSDB, do PMDB e do PT, ministros do governo Temer e parlamentares de diferentes partidos, entre eles, deputados e senadores que defenderam de forma radical Dilma e Lula e aqueles que também atacaram de forma contundente os dois ex-presidentes.

A inclusão dos quatro parlamentares do Vale do Itajaí tende a repercutir de forma impactante nas eleições gerais de Santa Catarina no próximo ano.

O senador Dalirio Beber, no primeiro mandato ocupando a vaga decorrente da morte do titular Luiz Henrique da Silveira,  tinha um currículo imaculado.  Está exercendo o primeiro mandato e é um dos mais respeitados tucanos em todo o Estado.

O prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes, estava na rampa de lançamento para disputar uma eleição majoritária no Estado no próximo ano.  Até uma dobradinha com Udo Döhler, em eventual coligação com o PMDB chegou a ser cogitada nos últimos dias.  Outro nome que surpreende os meios políticos catarinenses.

Impactante, sobretudo, é o casal Décio e Ana Paula Lima. O deputado federal é outro nome colocado entre os possíveis postulantes ao governo ou senado no próximo ano.  Agora, com a delação, tende a sofrer desgaste político, com desdobramentos imprevisíveis.

A posição de Décio Lima se agrava pela inclusão do nome da mulher, a deputada Ana Paula Lima, considerada sua sucessora na política do Vale do Itajaí e várias vezes cogitada para disputar a Prefeitura Municipal.

O casal é o mais ligado ao ex-presidente Lula. Décio Lima tem estado com Lula em São Paulo com alguma frequência. São compadres.

Além da inclusão na lista Janot, qualquer punição futura a Lula poderá respingar também em Décio Lima, cuja corrente foi vitoriosa nas eleições do PT, domingo em Santa Catarina.

Denunciados nas delações premiadas

O deputado estadual Jean Jackson Kuhlmann, do PSD, a ex-ministra Ideli Salvati e o ex-prefeito Carlito Mers, do PT e Roberto Carlos de Souza, estão relacionados pela Procuradoria da República como denunciados nas delações premiadas pelos executivos do grupo Odebrecht.

A nova relação tem como principal surpresa a inclusão do nome do deputado Jean Kuhlmann, candidato derrotado nas duas últimas eleições à Prefeitura de Blumenau.

A ex-senador Ideli Salvati e o ex-prefeito Carlito Mers já tiveram seus nomes constantes de listas do Ministério Público Federal que começaram a circular em Santa Catarina no final do ano passado.

Nesta lista, há uma petição para que o Superior Tribunal de Justiça analise o caso de Raimundo Colombo.

Já as delações contra Jean Kuhlmann serão examinadas pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre.

(Agência Brasil/DC/Moacir Pereira)