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Xanxerê- Hoje, dia 20, completa dois anos da passagem do tornado no município, que teve como resultado muita destruição, prejuízos, mas principalmente, várias vítimas. Houve registro de mortes, de muitas pessoas feridas e de outras tantas emocionalmente abaladas.

Por conta disso, desde 2015 a Unoesc de Xanxerê, através do curso de Psicologia, oferece auxílio a todos que de alguma maneira tiveram sequelas emocionais, através do Serviço de Atendimento Psicológico (SAP). Na época, o professor Fábio Augusto Lise era o coordenador  do curso de Psicologia, acompanhou de perto todo esse serviço de apoio às vítimas, e hoje relata alguns detalhes da importância do SAP. Confira na entrevista abaixo:

FOCA: A Unoesc, prontamente, disponibilizou atendimento psicológico para as vítimas. Esse serviço acontece até os dias de hoje?

PROF. FÁBIO: Sim, após a cidade ter passado pelo tornado foi disponibilizado o Plantão de Acolhimento Psicológico. Este teve e tem como objetivo acolher as pessoas que buscam por atendimento psicológico, seja somente para uma escuta ou para a pretensão de realizar uma psicoterapia. Nos dias subsequentes ao tornado fez-se a divulgação do serviço e o mesmo permanece até hoje, todas as segundas-feiras, à noite, no Serviço de Atendimento Psicológico (SAP) da Universidade do Oeste de Santa Catariana de Xanxerê ( Unoesc-Xanxerê).

FOCA: Quantas pessoas já foram atendidas para tratar o trauma de ter vivido essa experiência?

PROF. FÁBIO: Logo após o tornado, em visitas aos bairros atingidos, foram atendidas 84 pessoas, sendo que no primeiro momento foi realizado acolhimento e divulgação do Plantão de Acolhimento Psicológico. Em 2015, 29 pessoas com queixas iniciais vinculadas ao desastre foram atendidas. E, em 2017, temos quatro pessoas que ainda permanecem fazendo psicoterapia.

FOCA: Mesmo que muitos tenham conseguido superar, ainda existe alguma forma de acompanhamento?

PROF. FÁBIO: O SAP continua realizando o Plantão de Acolhimento Psicológico para as pessoas que sentirem necessidade. E acreditamos que a procura ao serviço em virtude dos efeitos do tornado continuará ocorrendo, pois, mesmo que os pacientes não atribuam suas dificuldades ao desastre, os eventos do estresse pós-traumático podem se manifestar em até dez anos após o ocorrida a situação traumática e podem gerar uma gama variada de sintomas.

FOCA: Qual o maior medo que essas pessoas possuem: o medo da morte? O medo de perder alguém da família? O medo de perder bens materiais? O que é mais difícil de ser tratado?

PROF. FÁBIO: As queixas iniciais dos pacientes logo após o tornado estavam associadas ao temor do desastre acontecer novamente, e deles precisarem enfrentar esta situação mais uma vez.

Todos os medos que temos derivam do medo da morte, mas em nosso cotidiano evitamos pensar nisto. Ao passar por uma situação traumática somos obrigados a enfrentar este medo, este enfrentamento para muitas pessoas pode ser desestruturante e manifestar outras questões da sua vida não resolvidas até o momento. Dependendo de quais são estas questões o tratamento toma um rumo, com tempo e intervenções direcionadas a necessidade da pessoa.

FOCA:  Hoje é uma data muito marcante, são dois anos do tornado, por conta disso as pessoas ficam mais frágeis, com possíveis recaídas?

PROF. FÁBIO: Sim, o sentimento de luto (que é um sentimento que temos ao perder algo que somos ligados afetivamente) pode ser reforçado com a lembrança do evento causador do luto, ou pela lembrança do que foi perdido.

FOCA:  Em que momento é mais difícil controlar os sentimentos: quando o tempo está para chuva ou quando se aproxima uma data marcante como o aniversário de mais um ano do evento?

PROF. FÁBIO: Cada pessoa lida com o luto de forma diversa, então isto é diferente para cada pessoa.

FOCA:  Para os estudantes de psicologia esse deve ter sido um momento de muito aprendizado, mas ao mesmo tempo de intensa emoção. Como foi administrar essas questões para que tanto o paciente, como o estudante, tivessem bons resultados?

PROF. FÁBIO: Com certeza foi um momento de muita aprendizagem para todos nós do curso, acadêmicos e professores. Administrar os sentimentos que estavam mobilizados naquele momento foi particularmente difícil, pois praticamente todos conheciam alguém que havia sido atingido pelo desastre. Mas, utilizamos os conhecimentos e técnicas da Psicologia que nos instrumentalizam para sempre procurar promover a saúde mental e amenizar os sofrimentos, e isto gerou resultados positivos.

FOCA:  Como profissional da área, qual a principal orientação para que essas pessoas se mantenham saudáveis, com pensamentos positivos e fortes?

PROF. FÁBIO: Procurar a ajuda especializada sempre que algo estiver lhe incapacitando de viver bem.