Major Parizotto alerta que é preciso estar preparado para novos fenômenos climáticos

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Xanxerê- Desde a passagem do tornado por Xanxerê, em abril de 2015, o major Walter Parizotto, comandante do 14° Batalhão do Corpo de Bombeiros de Xanxerê, alerta sobre os riscos de um novo evento na região. Na época, já comentava que a construção de células anti-tornados, principalmente em prédios públicos, era fundamental como forma de proteção.

Parizotto ainda é categórico em afirmar: “ Vai acontecer de novo, não há nada de novo no planeta, tudo se repete, é um ciclo, e nós temos que estar preparados para isso”. Além disso, considera que “a única forma de prevenção é preparar as pessoas”.

No Batalhão

No Batalhão, algumas mudanças começaram a ser feitas para que, em caso de novo evento, o trabalho da corporação aconteça de forma mais eficiente. “Nós somos um agente de resposta, em se tratando de tornado, trabalhamos no pós-acontecimento. Então, a corporação se preparou muito para isso, fizemos mudanças estruturais bem significativas, um planejamento melhor. Em cima dos erros e das dificuldades do tornado a gente construiu um cronograma de respostas, porém as grandes mudanças precisam se dar na sociedade”.

Outra ação tomada pelos bombeiros, no sentido de melhor atender a população, quando há algum tipo de risco, é ter uma equipe sempre pronta para prestar atendimento. “Hoje colocamos de prontidão preventiva a nossa força-tarefa sempre que há um risco, o que não aconteceu naquela época. Naquela época, nós levamos horas para mobilizar a nossa equipe. Hoje já atuamos de forma preventiva para sermos muito mais ágeis. Certamente, se acontecer um outro tornado teremos uma equipe especializada já a postos para se mobilizar muito rapidamente, não só para Xanxerê, mas para os 30 municípios que nós atendemos”.

O radar

Sobre a implantação do radar meteorológico, em Chapecó, Parizotto comenta que será importante, mas ao mesmo tempo, questiona o que poderá ser feito com a informação da possibilidade de novo tornado. “Logo teremos um radar que vai nos dar poucos minutos para que possamos fazer algo. O que uma professora que está com 40 alunos na sala de aula, vai fazer com as crianças ao saber que tem um tornado chegando? São necessárias mudanças estruturais, nas escolas, em locais mais específicos, também precisamos ter alternativas de comunicação e energias alternativas”.

Gerador de energia

Ainda sobre o assunto energia alternativa, Parizotto ressalta que nem o Batalhão está preparado com gerador, que na época havia um recurso para compra, mas que nunca chegou. “Tinha o recurso, mas alguma coisa aconteceu que acabou não chegando até aqui. Agora, estamos construindo com recursos próprios, estamos com uma licitação em andamento, pretendemos finalizar no mês que vem”.

Ação integrada

Parizotto ressalta a importância de órgãos e instituições trabalharem unidos.  “Eu vejo que muitos dos envolvidos, nós, a Defesa Civil, o hospital, os municípios, mudaram alguns comportamentos, mas nós não nos unimos ainda. Eu conversava recentemente com o Peri, da Defesa Civil, que tão logo inaugurado o Centro Regional, com uma estrutura de comando regional, nós precisamos fazer um simulado envolvendo esses vários órgãos. Porque, quando acontecer um desastre precisaremos agir de forma integrada, e que haja comunicação, que as repostas sejam unificadas, que não fique cada um tentando resolver seus problemas, temos que resolver as prioridades da ocorrência como um todo”.

Devemos estar preparados

Quando Parizotto explica que a mudança precisa ser na forma de agir e pensar das pessoas, ele considera que cada um também precisa buscar formas seguras, em suas próprias casas, caso ocorra novamente o fenômeno. “As casas com laje são mais seguras que as casas de madeira, porém só a laje não resolve, é preciso ter uma célula anti-tornado. Porque se o vento entrar, vai atingir da mesma forma, então não é só estruturalmente colocar a alvenaria. Eu desconheço pessoas ou famílias que tomaram esse cuidado, famílias que se reuniram e decidiram –‘olha se formos atingidos nos reuniremos todos nesse local’-, poucos preparam seus filhos para agir se estiverem na rua com veículos se acontecer novamente. As pessoas estão esquecendo que tivemos um tornado. E nós vamos ter outros. Se olharmos historicamente tivemos na década de 50 em Palmas, que morreram muitas pessoas, depois nós tivemos na década de 80, e tivemos outro agora. A natureza não vai mudar a forma de agir, nós é que devemos estar preparados”.