Demora do tratamento contra o câncer pode significar sentença de morte

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Xanxerê- A presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer (RFCC) de Xanxerê, a médica ginecologista Rita Pezzali, é categórica em afirmar que “num país em que a maioria dos casos de câncer tem diagnóstico tardio, o que por si só já piora o prognóstico, qualquer atraso no início e manutenção do tratamento é decisivo para uma evolução muito ruim da doença; significando, muitas vezes, uma sentença de morte para aquele paciente”.

O comentário da médica está relacionado ao requerimento solicitado na sessão de quarta-feira (07) do Legislativo, pelo vereador Wilson Martins, que solicita  informações da Secretaria de Estado da Saúde, sobre demora no início de tratamentos oncológicos, e também uma Moção de Apelo para que o Estado cumpra a lei 12.732/12, que estabelece um prazo máximo de 60 dias para que as pessoas iniciem o tratamento de quimioterapia ou radioterapia. As duas proposições foram aprovadas e serão encaminhadas ao Governador do Estado de Santa Catarina, ao Secretário de Estado da Saúde e ao Ministério Público de Chapecó e Xanxerê.

A presidente da RFCC lamenta o fato de não existir uma estatística confiável na Rede Municipal de Saúde sobre quantos xanxerenses são portadores de câncer, nem mesmo aqueles encaminhados pela  Rede Pública de Saúde, para que se tenha uma ideia de quantas pessoas sofrem com o problema. Sobre as Vitoriosas, apoiadas pele Rede Feminina de Combate ao Câncer, ela explica que esse tipo de situação não é enfrentada. “Nos últimos anos, tivemos um único caso de atraso no início do tratamento pela burocracia entre a Secretaria Municipal de Saúde e o Setor de Oncologia do Hospital Regional Oeste”, esclarece.

Segundo ela, a maioria das Vitoriosas que frequentam a Rede são portadoras de câncer de mama, e conseguem agendamento em tempo hábil bem como o prosseguimento de seus tratamentos oncológicos. “Em alguns casos, quando a medicação é de última geração e ainda não faz parte do rol de medicamentos disponibilizados pelo SUS, elas têm de tentar conseguir via judicial”.

Entretanto, a médica relata ter conhecimento de casos pontuais de pacientes oncológicos que não frequentam a Rede, e que buscam junto à entidade informação sobre a questão da demora no atendimento. “Alguns têm sim, muita dificuldade de agendar a primeira consulta, às vezes, sem nenhuma previsão de quando isso vai ocorrer”, lamenta ela.

Questionada se pretende unir forças junto às questões levantadas pela Câmara de Vereadores, Rita Pezzali ressalta que faz parte das ações da Rede Feminina de Xanxerê, dispender todos os esforços possíveis para facilitar a vida das mulheres portadoras de Câncer da cidade e região, não só com atividades na Sede, com disponibilização de psicoterapia, fisioterapia e oficinas de terapia ocupacional; mas acompanhando o tratamento oncológico das mesmas. “Mas, infelizmente, como ONG, não dispomos de recursos para pagar tratamentos, consultas ou exames; ações que nem mesmo o poder público, apesar de arrecadar bilhões em impostos, tem conseguido fazer”.

De acordo com ela, a Rede procura promover ações educativas. “Até hoje sem apoio público para sequer desenvolver projetos permanentes em escolas municipais e estaduais; como já nos propomos inúmeras vezes e que não custariam nada aos cofres públicos”, desabafa.

Outra medida adotada pela entidade é manter contato permanente com o Setor de Oncologia do Hospital Regional Oeste para agilizar, quando necessário, ações que beneficiem as Vitoriosas da Rede. “E sempre tivemos com a equipe de lá, excelente retorno. O que nos entristece muitíssimo é, ao longo desses muitos anos de trabalho voluntário, perceber que um problema de tal gravidade, não sensibilize de maneira permanente as autoridades e políticos que teriam o poder de mudar esse quadro. De uma maneira recorrente, o assunto vira moda quando um familiar ou conhecido atravessa o problema, e depois novamente cai no esquecimento, enquanto nós, voluntárias e equipe técnica da Rede vivemos no dia a dia as dificuldades constantes dos pacientes portadores de câncer e também da prevenção e diagnóstico precoce do mesmo, especialmente no que se refere a exames de prevenção, um exemplo típico é o da mamografia que deveria ser feita anualmente a partir dos 40 anos”.

Rita Pezzali ainda pondera que a demora no início do atendimento oncológico ocorre em todo o território nacional. “Isso ocorre em função do péssimo planejamento e investimento pífio em saúde, especialmente na última década. Nossa constituição promete tudo mas, além de não especificar de onde deve vir o dinheiro para custear tais benesses, ainda permite por má gestão, que o dinheiro tão necessário, se “perca” entre a saída do Governo Federal, até a chegada nos Estados e, principalmente, Municípios”.

Para ela, a realidade é a incidência crescente de neoplasias, a maioria diagnosticada tardiamente por ineficiência das campanhas de prevenção e ignorância da população a cerca de seus direitos e cuidados de como viver para adoecer menos. “E de outro lado o sucateamento dos hospitais oncológicos por falta de investimento, o número insuficiente de máquinas de radioterapia, de oncologistas, de acesso a quimioterápicos de última geração”, conclui.