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Xanxerê- O curso de formação “Identificação de violências, empoderamento feminino e emancipação da mulher”, organizado pelo Coletivo Janete Cassol em parceria com a União Brasileira de Mulheres (UBM) de Chapecó, reuniu neste sábado (26), na Câmara de Vereadores, cerca de 30 mulheres. “Este é o primeiro curso promovido pelo Coletivo Janete Cassol, voltado exclusivamente para as mulheres, porque trata sobre a identificação das violências. Inclusive, foi um pedido das próprias mulheres para que fosse somente para elas, para ter um pouco mais de liberdade para falar dessa questão e se tem a presença de um homem acaba bloqueando”, explica Bruna Pompermayer, que faz parte do Coletivo.

Conforme Bruna, a expectativa é que, com o curso, a luta pelos direitos das mulheres se desenvolva na cidade e que as participantes do encontro levem a mensagem para outras mulheres.

De acordo com os registros da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso de Xanxerê, até o último mês foram cerca de 300 casos de violência, tanto física como psicológica, além de abusos sexuais, entretanto sem identificação de quantos casos foram especificamente contra à mulher. “300 casos em sete meses é uma situação extremamente preocupante, então, por isso, trabalhamos com essa identificação da violência, principalmente porque muitas vezes as pessoas acreditam que a violência contra a mulher é somente a agressão, mas não, também há a violência psicológica. A violência física é o final, é o último estágio da violência. Começa com a violência psicológica, com o abuso moral e se não houver um basta evolui até a agressão física”, alerta Bruna.

A coordenadora da UBM de Chapecó e palestrante da noite, a advogada Liliane Araújo, especialista em Direito Constitucional, atua no movimento feminista há aproximadamente 20 anos e veio à Xanxerê falar para o coletivo de mulheres sobre emancipação, luta feminista no País e o empoderamento para a conquista da emancipação.

Para salientar a importância das discussões em pauta, Liliane lembra que são 11 anos de Lei Maria da Penha e até hoje existe grande dificuldade para se fazer cumprir o que esse direito garante para as mulheres que sofrem agressão. “A gente tem avançado, mas não avança somente no texto frio da lei, avança com muita organização social, com movimento e com cobrança. A realidade de Xanxerê é muito parecida com a que temos em Chapecó. Lá nós temos uma delegacia que se pretende especializada, mas na verdade, a gente costuma dizer que quem tem a delegacia especializada é o homem, porque todos os outros são atendidos numa delegacia, que são mulher, infância, idoso e adolescência, e acaba que o atendimento especializado fica comprometido. Na prática, nos tivemos, através do Conselho Municipal de Direitos da Mulher, que fazer visitas para cobrar que o atendimento seja feito por mulheres, pois tinha caso de escrivão homem atendendo, sem espaço adequado, atendendo a mulher num hall, onde ela precisa relatar tudo o que aconteceu, então, uma coisa é o texto da lei e outra são os avanços quem vem de forma muito devagar e dependem muito da organização, e claro, da vontade política dos gestores, mas principalmente da pressão da sociedade”, relata.