CDL Dia das Crianças 2019

A fáscia plantar é um tecido fibroso, localizado ao longo da planta do pé, que se estende do calcanhar até a ponta dos dedos e tem como função a sustentação do arco plantar.

A fascite plantar é a inflamação que ocorre devido a um estresse excessivo dessa região, como impacto e microtraumas repetitivos e processos degenerativos no local da origem da fáscia. É uma das patologias mais comuns que acometem o pé e tem sido muito discutida pelos profissionais da área de saúde e esportistas. Quando sobrecarregada, a fáscia inflama, causando dor. Essa dor também pode estar localizada apenas no calcanhar ou no arco do pé e algumas vezes irradiar para outras regiões, como tornozelos, dorso do pé e tendão de Aquiles. Geralmente a fascite plantar é um transtorno de bom prognóstico, mas a recuperação costuma ser bastante lenta.

A fascite pode ser confundida com esporão de calcâneo, pois a fáscia se origina na mesma região onde o esporão surge e a dor se estende praticamente pela mesma região do calcanhar.

Sintomas

O sintoma característico da fascite plantar é uma dor forte, em facada, debaixo do pé, perto do calcanhar. Em geral, essa dor é mais intensa pela manhã, mas alivia durante o dia, com a caminhada.  Nada impede, porém, que ela surja em qualquer ponto da fáscia, depois de longos períodos em pé, ou ao se levantar após um longo período sentado.  Outros sintomas que também estão presentes na fascite plantar é a dor na sola do pé após e/ou durante atividade física também são sintomas; a dor a palpação da sola do pé e calcanhar; e rigidez e tensão na sola do pé. Inchaço (edema) e vermelhidão (eritema) são outros sinais de inflamação que podem estar presentes nos quadros de fascite plantar. Portadores dessa condição podem apresentar também dificuldade para realizar o movimento de dorsiflexão do pé, isto é, apresentam dificuldade para trazer a ponta do pé na direção da canela.

Sem tratamento, a dor da fascite plantar pode tornar-se crônica e provocar alterações na marcha que revertem em lesões no joelho, quadris e coluna.

Causas

Algumas alterações biomecânicas estão intimamente ligadas a inflamações na fáscia e principalmente a um mau amortecimento de impacto que sobrecarrega essa estrutura.

  • Pés cavos (arco plantar mais alto, menor área de apoio da sola do pé com o solo);
  • Pés planos ou chatos (arco plantar mais baixo, maior área de apoio da sola do pé com o solo);
  • Sobrepeso e o ganho rápido de peso, pois existe uma sobrecarga tanto óssea quanto muscular;
  • Calçados inadequados, com solados planos e muito flexíveis ou altos que não dão o suporte adequado para o arco do pé;
  • Atividade física repetitiva e de alta intensidade, que exijam muito do calcanhar e da fáscia plantar, como corridas longas;
  • Encurtamento e tensão no Tendão de Aquiles (que liga a panturrilha à região do tornozelo), em decorrência do retesamento do músculo da panturrilha ou do uso frequente de sapatos com saltos muito altos ou sem o suporte adequado para amortecer os choques contra o osso calcâneo;
  • Exercer funções em que precise ficar em pé por muito tempo;
  • Envelhecimento pelo desgaste ósseo e cartilaginoso.

Diagnóstico

Num primeiro momento, o diagnóstico de fascite plantar é clínico e leva em conta as particularidades dos sintomas e os fatores de risco. Exames de raios X e ultrassom podem ser úteis para estabelecer o diagnóstico diferencial com o esporão do calcâneo (protuberância óssea que cresce na base ou atrás do osso calcâneo), a metatarsalgia (dor nos ossos que articulam com as falanges), a tendinite do tibial posterior e com microfraturas ósseas.

Tratamento

O objetivo do tratamento da fascite plantar é reduzir a inflamação, aliviar a dor e habilitar o paciente para assumir suas atividades rotineiras.

Grande parte dos portadores de fascite plantar se beneficia com o tratamento conservador que inclui repouso, aplicação de gelo no local e sessões de fisioterapia para promover o alongamento de estruturas, como a própria fáscia plantar, o tendão de Aquiles e os músculos da panturrilha.

O uso de palmilhas ortopédicas (calcanheiras de silicone) visando à melhor distribuição peso corpóreo sobre os pés e de órteses noturnas para evitar o encurtamento do arco e manter fáscia plantar alongada durante a noite são outros recursos não farmacológicos que podem ser benéficos.

Quando necessário, o tratamento farmacológico inclui a prescrição de analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides, a aplicação de toxina botulínica e a infiltração com anestésico ou com corticosteroides diretamente na região de maior dor na sola do pé.

A cirurgia para liberação da fáscia plantar só é indicada quando os outros recursos terapêuticos não produzem mais resultados.

Prevenção

As seguintes medidas ajudam a prevenir a manifestação da fascite plantar:

  • Evite ganho do peso rápido: a obesidade representa uma sobrecarga extra sobre as estruturas do pé, especialmente sobre o arco plantar;
  • Procure alongar músculos e ligamentos antes e depois de praticar qualquer atividade física;
  • Não ande descalço em superfícies muito rígidas, nem caminhe nas pontas dos pés;
  • Certifique-se de que os calçados possuem o amortecimento necessário para absorção do impacto e garantem o apoio adequado para o arco do pé;
  • Recorra ao uso de palmilhas para corrigir alterações anatômicas;

Reserve os calçados com saltos muito altos para ocasiões especiais e use por pouco tempo. No dia a dia, prefira sapatos com saltos mais baixos (em torno de 2 a 4 cm), que não estejam largos nem apertados demais, nem que tenham a sola muito fina ou muito gasta.

Cristiane Toffolo – Fisioterapeuta