Janeiro Branco: a pintura como forma de reduzir a ansiedade

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Palstra Clara Chapecó

Colaboradores do Hospital Regional São Paulo recebem ações que reforçam a importância de cuidar da saúde mental

Xanxerê- Mais de cem desenhos coloridos formam um mural exposto no auditório do Hospital Regional São Paulo, de Xanxerê. Mandalas, animais, flores ganharam vida usando técnicas variadas de pintura e materiais diferentes. A pintura dos desenhos foi uma das ações desenvolvidas para o mês Janeiro Branco, que fala sobre a importância de se cuidar da saúde mental. Além disso, uma panfletagem informativa, o ensino de uma técnica de respiração e uma palestra com o psiquiatra Jackson Furlanetto também fizeram parte da programação.

Conforme a psicóloga Eliandra Solivo, oficinas de pintura foram desenvolvidas com os profissionais que trabalham em funções administrativas e para as mães que estão com os bebês em tratamento na UTI Neonatal, já para as demais equipes houve o incentivo para que o colaborador levasse o desenho para casa e destinasse um tempo para colorir o papel. “Nosso intuito foi proporcionar um momento de lazer, em que o colaborador pudesse refletir também como está a sua saúde mental. Muitos gostaram e até nos pediram mais desenhos”, comenta a psicóloga.

Conforme o psiquiatra Jackson Furlanetto, a pintura atua como uma forma de lazer para as pessoas que gostam da prática, justamente um dos pontos de prevenção a ansiedade. “Poder descobrir coisas novas que dão prazer, como é o caso da pintura, também alivia o estresse, que é um dos fatores desencadeantes para as crises de ansiedade”, comenta o psiquiatra.

Em palestra aos colaboradores do HRSP, o médico elencou ainda outras ações que ajudam na prevenção, entre elas: atividade física regular, interações sociais, evitar o uso de substâncias psicoestimulantes – como a café, chimarrão, coca-cola, evitar o estresse laboral e fazer consultas frequentes. Já a fisioterapeuta, Andressa Cavalheiro, ensinou aos colaboradores uma técnica de respiração que pode ser incluída na rotina e ajuda a controlar a ansiedade.

A ansiedade

Estudos apresentados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Mistério da Saúde indicam que o Brasil tem experimentado um crescimento vertiginoso das problemáticas relativas à Saúde Mental/Saúde Emocional dos indivíduos e da sociedade como um todo. Segundo a OMS (dados de 2017), a sociedade brasileira a campeã mundial em relação à ansiedade, é a recordista latino-americana em casos de depressão e o 4º colocado em relação ao crescimento das taxas de suicídio entre os jovens da América Central e da América do Sul.

Segundo o médico a ansiedade é um sentimento que tem algumas funções. Jackson compara com uma situação em que a pessoa está numa rua deserta e escura, nesse momento a ansiedade é benéfica, pois os sentidos vão estar em alerta, preparando para a luta, ou para a fuga. “A gente usa a ansiedade para nos comunicarmos com o meio externo, é uma forma de avaliarmos o local onde estamos, se é seguro, adequado e isso faz com que possamos interagir. Em compensação, quando as interpretações que a gente faz desse nível de ansiedade são interpretações errôneas, faz com que eu tenha um comportamento inadequado, o que acarreta em um sofrimento imenso para a pessoa. Há um descompasso entre o que a pessoa sente e o que ela realmente está vivendo”, explica o psiquiatra.

Transtorno do Pânico, Transtorno de Ansiedade Generalizada e Fobia são alguns dos transtornos de ansiedade mais comuns, segundo o médico. “O que acontece é que algumas pessoas, por questões genéticas, comportamentais, ou psicossociais acabam sofrendo com uma ansiedade acima daquilo que elas conseguem suportar e isso leva a diferentes transtornos de ansiedade, o mais comum é o Transtorno do Pânico, conhecido também como Síndrome do Pânico. Um fato importante em relação à ansiedade é o medo de morrer. Quando a gente começa a ter um medo irracional da morte, ou de que algo de ruim possa acontecer, isso é um sinal de que algo não está funcionando adequadamente ”, complementa.

O tratamento para a ansiedade normalmente é complexo, dependendo da intensidade, do tipo de patologia, a vivência da pessoa e da gravidade do quadro. Conforme o psiquiatra, além da utilização de medicamentos, normalmente se associa a psicoterapia, mudanças no estilo de vida (excluindo substâncias psicoestimulantes), a pratica de atividade física, Yoga ou meditação.

Janeiro Branco

A campanha Janeiro Branco pretende estimular a criação de uma ‘cultura da saúde mental’ e, ao mesmo tempo, difundir um conceito ampliado de Saúde Mental/Saúde Emocional como um estado de equilíbrio sem o qual não é possível viver satisfatoriamente em sociedade.

O mês de janeiro foi escolhido para mobilização pela força cultural da simbologia atribuída à virada de ano, quando as pessoas estão predispostas a pensar sobre as suas vidas em diversos aspectos. Já a cor branca quer mostrar às pessoas que, como em uma folha em branco, qualquer um pode escrever e reescrever a sua própria história, desenhando e redesenhando novas possibilidades perante a vida. O slogan da campanha é “quem cuida da mente, cuida da vida”.