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Abelardo Luz- Médicos e enfermeiros, que atendem em Unidades Básicas de Saúde de oito municípios, participaram nesta terça-feira (12), em Abelardo Luz, de capacitação sobre prevenção e tratamento da Sífilis, doença sexualmente transmissível, que está preocupando as autoridades da Rede Pública devido ao grande número e aumento de casos em toda a região.

O treinamento foi promovido pela Secretaria Municipal de Saúde de Abelardo Luz, no Plenário da Câmara de Vereadores, com presença de profissionais das UBS de Abelardo Luz, Bom Jesus, Entre Rios, Galvão, Faxinal dos Guedes, Ipuaçu, Passos Maia e São Lourenço do Oeste.

Em Abelardo Luz, segundo dados da Vigilância Epideomiológica, somente em 2017, foram registrados 33 casos de sífilis no município. Deste total, três eram casos de sífilis congênita, que é quando a doença é transmitida pela mãe grávida para o bebê durante a gestação. O que tem preocupado é o aumento deste número, haja visto que de janeiro a junho deste de 2018, já foram notificados 19 casos, sendo cinco de sífilis congênita, quase o dobro do ano anterior.

“A nossa preocupação maior é com a sífilis congênita que acontece nas crianças recém-nascidas. Em virtude de casos existentes no nosso município e do surto que está acontecendo um surto não só em Santa Catarina, mas em todo o Brasil, resolvemos realizar essa capacitação para realmente saber como tratar esses casos e também fazer uma prevenção para que esses dados acabem diminuindo”, informou a enfermeira e coordenadora municipal de epidemiologia, Rosane Ribeiro.

A principal forma contágio da sífilis se dá através da relação sexual sem uso de preservativo. “Entre as DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) a sífilis é a mais comum que tem aumentado muito os casos, principalmente esses casos de crianças. Além disso, o que nos deixa também preocupados é de que podemos ter muitos outros casos de pessoas que estão com essa doença, mas que ainda não foram diagnosticados”, salientou Rosane.

A capacitação para tratamento da sífilis foi ministrada pelo médico especialista em infectologia do Hospital Regional do Oeste (HRO) de Chapecó, Hugo Noal. Segundo o infectologista, a sífilis é uma doença grave, de fácil transmissão, e se não for tratada pode trazer sérios problemas de saúde, inclusive óbitos, principalmente entre os bebês.

“Justamente a nossa preocupação são os recém-nascidos da região que nasceram com sífilis congênita que podem desenvolver sequelas e trazer inúmeras complicações a criança que vão desde o desenvolvimento neuromotor até sequelas tipo surdez, problemas de visão e deformidades ósseas. Daí a importância deste trabalho com estes profissionais para alertar justamente as questões de conhecimento da doença e de como fazer a abordagem nos atendimentos no Sistema Único de Saúde”, salientou o médico.

Sintomas

De acordo com o infectologista, um dos principais sintomas característicos da doença é o aparecimento de uma ferida pequena em algum órgão genital que não causa dor e que desaparece em poucas semanas. “Isso acaba não chamando a atenção da pessoa, mas a bactéria entra no organismo da pessoa e vai causando danos nos órgãos profundos. Com isso, a pessoa evolui e começa a ter perda de cabelo, fraqueza, gânglios que aparecem na região do pescoço e na região genital. A pessoa pode evoluir depois para complicações cardíacas e uma meningite grave”, frisou.

O médico alerta a todas as pessoas que ao presenciarem os sintomas da doença que procurem periodicamente os profissionais da Saúde para fazer os exames e, no caso das mulheres, isso deve ser feito não apenas nas consultas do pré-natal. “O exame é feito de maneira simples através de uma gota de sangue retirada no dedo. O teste é rápido e se der positivo essa pessoa passa por uma confirmação e o acompanhamento especializado”, explicou.

Tratamento e Cura

O médico infectologista afirma ainda que a sífilis é uma doença tratável, com acompanhamento médico regular e com medicação específica. Segundo ele, no caso de crianças, a sífilis congênita precisa ser identificada já precocemente durante o pré-natal. “As crianças recebem um tratamento hospitalar por 10 dias depois do nascimento com penicilina na veia e o acompanhamento vai demorar até um ano até ela criança ganhar alta”, explica Noal.