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Xanxerê- O Núcleo de Apoio à Vida de Xanxerê (Navix) realizou nesta terça-feira (10), Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, uma divulgação com panfletagem do trabalho do CVV Nacional (Centro de Valorização da Vida), o Disque 188, na praça Alcides Bernardi, antigo chafariz.

Segundo a presidente do Navix e porta voz do CVV, em Xanxerê, Rosane Márcia Mettler, a equipe é composta por aproximadamente 15 pessoas, que concluíram o curso para atendimento ao telefone. Mas, como é um trabalho voluntário, nem todos desempenharão a mesma função. “Toda a equipe fez o curso para conhecimento. Entretanto, o atendimento pelo telefone ainda não iniciou, pois dependemos de alguns tramites legais e instalações de algumas tecnologias, como o próprio telefone”.

Rosane relata ainda que a data para o trabalho de atendimento ao telefone está próxima para iniciar no município. “Acreditamos que até o final de setembro o posto de Xanxerê estará atendendo. Outra questão que quero deixar claro é: quem é de Xanxerê e por acaso ligar no 188, a chance de ser atendido por alguém daqui é de 1%, porque o CVV é nacional, então, as ligações de Xanxerê provavelmente nunca cairão aqui”.

A voluntária esclarece que o trabalho realizado pelo CVV é sigiloso, de acolhimento e que está disponível 24 horas por dia. Esse trabalho existe há 57 anos, e hoje possui 110 postos instalados em todo o Brasil, com registro de cerca de 12 mil ligações por dia.

Para os interessados em fazer parte da equipe, Rosane acredita que nos próximos meses será oferecido novo curso preparatório. “A lista de interessados em fazer parte do grupo já foi aberta e o contato pode ser feito com qualquer membro do Navix. Nós também temos uma página na internet (https://www.cvv.org.br/), onde pode ser deixado o nome ou mandado e-mail, ou ainda a pessoa pode chamar qualquer um de nós pelo facebook. Pode demorar alguns minutos, mas nós vamos responder a todos”.

Para atender as ligações, os voluntários precisam ser maiores de 18 anos de idade. No total, são quatro horas de trabalho voluntário na semana. “Os menores de idade também podem contribuir, pois existe o trabalho burocrático que pode ser feito por eles”.

Um suicídio a cada 45 minutos

Sobre a faixa etária das pessoas que atentam contra a própria vida, Rosane explica que atualmente no Brasil o maior número concentra-se entre 15 e 35 anos, sendo que a cada 45 minutos acontece um caso. “São cerca de 35 pessoas por dia que cometem o suicídio no nosso país e não precisamos ir longe para perceber essa realidade, pois temos muitas pessoas perto de nós que estão com depressão e com falta de alguém para conversar. Por isso, o CVV tem a proposta de oferecer apoio. É só você ligar e desabafar, que nós temos um treinamento específico para ouvir e acolher, independentemente de qualquer situação e condição que a pessoa do outro lado da linha possa estar passando. Nós não julgamos ninguém, nós somente acolhemos”.

Rosane lembra que as famílias precisam estar atentas e observar as pessoas que se isolam, que não conversam e que ficam muito tempo trancadas em casa. “Pessoas que pronunciam frases como: ‘A vida não tem mais sentido’ ou ‘Tudo acabou para mim’, que são frases típicas de pessoas que estão precisando de ajuda, são potenciais suicidas, então, é nesse momento que sugerimos o 188, para que a pessoa possa ligar e desabafar de uma forma sigilosa e que ninguém ficará sabendo”.

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, Rosane, que é formada em RH mas atua como técnica de enfermagem do Samu, justifica que o que lhe motivou a escolher ser voluntária é o grande número de famílias que possui alguém com depressão, ou até mesmo que já passou pela situação de suicídio de alguém próximo. “Na minha família, há 40 anos, houve um caso de suicídio. Além disso, aqui a gente aprende a lidar com a situação e é um trabalho que eu considero que você é muito mais ajudado do que oferece a ajuda. Todo dia é um aprendizado, então, vale muito a pena, e, por isso, estou convidando quem quiser colaborar, nós estamos precisando de ajuda e muitas pessoas precisam de nós, do nosso ouvido. Nós não ajudamos muito, nós somente ouvimos e isso basta”.