Opinião – Aumento da taxa Selic e as expectativas para o segundo semestre

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Por: Ivan Durand Junior – Na quarta-feira (16) o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) anunciou um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, passando de 3,5 para 4,25% ao ano.

Esse aumento já estava anunciado na Ata da última reunião do Copom, no dia 11 de maio, quando o Comitê avaliou que a inflação estava seguindo uma trajetória acima do projetado e antevia “outro ajuste da taxa Selic na mesma magnitude”.

De acordo com o Banco Central (BC), o principal motivo da elevação da taxa Selic é a persistência de pressão da inflação acima do esperado, especialmente entre os bens industriais, aqueles que fazem parte do processo de produção de produtos manufaturados (máquinas, equipamentos, matérias primas e serviços). A inflação do mês de maio ficou em +0,83%.

Outro fator que chamou a atenção do Comitê e que levou a essa tomada de decisão foi o quadro preocupante do sistema hídrico e o impacto sobre as tarifas de energia, que aumentou 12,4% em maio e pode chegar a 20%, segundo informou André Pepitone, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Esse aumento da Selic derrubou ainda mais o preço do dólar comercial em relação ao real. Na manhã de quinta-feira (17), logo após o anúncio do ajuste da Selic, a moeda norte americana chegou a ser vendida a R$ 5,03, uma queda de 0,22% em relação ao dia anterior.

Na reunião de quarta (16), o Copom antevê a continuidade do processo de normatização monetária com outro ajuste da Selic, podendo chegar a 5% ao ano. “Contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários. (…) Essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação”, ressaltou o Copom, sugerindo que o reajuste pode ser até maior se a inflação não for contida.

O ministro de Minas e Energia, Alberto Albuquerque, manifestou sua preocupação quanto a situação dos níveis hidrográficos, podendo levar o Brasil a viver novo racionamento de energia, como aconteceu em 2001.

Mas o baixo nível dos rios não chama a atenção apenas para o setor energético, esse problema afeta também a produção agropecuária.

Enquanto em 2020 o agro foi a sustentação da economia brasileira em virtude das exportações, uma participação de 26,6% (quase R$ 2 trilhões) no PIB nacional, os impactos dessa estiagem prolongada podem afetar a safra 2021/2022.

Também não se pode esquecer que o mesmo dólar alto que alegra os exportadores, exige cuidados dos importadores, especialmente na área de insumos agrícolas e componentes eletrônicos para a indústria. É uma via de mão dupla.